O projeto “Andanças” foi iniciado no município de Marília e se estendeu para a região, como Pompéia. O soldado Reginaldo dos Santos Batista da Polícia Militar do Estado de São Paulo teve a idéia e é o responsável pelo seu sucesso. O projeto busca a interação entre o mundo social e o trabalho da polícia, por meio do engajamento de voluntários, que realizam atividades artísticas e palestras, por exemplo.
O projeto pode ser considerado uma boa prática. Nessa entrevista, o soldado Reginaldo apresenta a trajetória do “Andanças” e faz uma avaliação do seu sucesso.
1) O projeto “Andanças” começou com a sua iniciativa. Quando e como surgiu essa idéia e o projeto?
R. Sim. Começou em uma ação na semana das crianças no ano de 2000, seu sucesso e sua aceitação diante do público foi tanta que não pudemos mais parar.
2) Defina para nós o que é o projeto “Andanças”?
R. É um projeto que em primeiro lugar busca uma integração mais ampla entre Policia e sociedade, seu segundo objetivo é trabalhar a prevenção nos seus variados moldes e por fim fazer renascer sonhos e esperança nas pessoas, sobretudo nos jovens e adolescentes.
3) Como o Sr. avalia hoje o impacto do projeto?
R. Altamente positivo já que em todos os lugares onde o Andanças esteve o pedido para o nosso retorno é sempre muito forte, e posso dizer também que é um projeto que caiu nas graças da imprensa, devido a sua forma simples porem com capacidade de atingir o objetivo traçado.
4) Hoje como anda o projeto? Quais são os trabalhos desenvolvidos, qual público atende e qual é a recepção na corporação?
R. Estamos sempre buscando inovar e não parar no tempo ou em uma ação que vire a mesmice, é lógico preservando a estrutura dorsal do projeto, nosso público é variado e depende da época da ação, na Páscoa trabalhamos com jovens e adolescentes, em maio com mães e seus filhos, agosto com pais (fizemos um trabalho na FUMARES), em outubro com crianças e adolescentes e em dezembro com famílias.
5) Quem está envolvido com o projeto? Policiais, entidades da sociedade civil, órgãos públicos municipais ou estaduais?
R. Policias tanto militares como civis e tanto da ativa como da reserva, pastorais da igreja, profissionais liberais (Psicólogos, Médicos, etc.).
6) O debate sobre a integração polícia-comunidade vem aumentado. Como o Sr. entende essa integração? E o Policial Militar está hoje preparado?
R. Não é apenas uma questão de filosofia de uma corporação é uma necessidade. Saber quais são os problemas e expectativas do público para o qual se oferece um serviço é de vital importância, assim como levar a este público seus eventuais problemas e dificuldades e nisto a grande maioria dos policias estão preparados.
7) Há projetos semelhantes desenvolvidos pela PM em Marília e/ou na nossa região?
R.Em Marilia temos o “Projeto Corujinha” que é uma escolinha de futebol dentro do quartel e a eco terapia, alem da festa das crianças organizada todos os anos pelo Ten TIBA com arrecadação e distribuição de brinquedos.
8) Projetos como o “Andanças” podem ser disseminados para outras regiões e se converter em política pública?
R.Sim pois o grande mérito dele é colocar as diversas parcelas da sociedade em contato e dar-lhes a chance de se conhecerem e se ajudarem.
9) O que é preciso fazer para mobilizar a população para se envolver com projetos na área de segurança pública?
R.Primeiro é preciso trabalhar com a verdade e colocar de forma clara que segurança pública é dever de todo o cidadão e que conto mais houver colaboração, mais próximo de um sonho estaremos.
10) E para finalizar, quais recomendações o Sr. daria para quem pretende desenvolver projetos na área de segurança pública, voltados para a comunidade?
R. Que é preciso estudar as necessidades do público a quem se pretende atingir, é preciso empenho e doação e é necessário estar preparado para não mais parar, porque após você se deparar com um sorriso verdadeiro nos olhos de uma criança a qual por instantes resgatou-se a cidadania e o direito de sonhar, você foi atingido pelo vírus da solidariedade e não tem mais cura!
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