Assassinatos de gays, lésbicas, travestis e transexuais no Brasil

O Grupo Gay da Bahia entre 1963-2007 documentou no Brasil 2802 assassinatos de gays, travestis e lésbicas, concentrando-se 18% na década de 1980, 45% na década de 1990 e 35% (972 casos) a partir do ano 2000. Segundo suas estatísticas, no ano de 2006 foram assassinados 88 homossexuais no Brasil, sendo 61% gays, 37% travestis e 2% lésbicas. Em 2007 houve um aumento de 30% de casos em relação ao ano anterior, sendo que 122 homossexuais e travestis foram assassinados no Brasil, um a cada três dias. Quanto aos assassinos 80% são desconhecidos e 65% são menores de 21 anos.

O grupo levando em consideração a população de travestis no Brasil, segundo as associações de transexuais e travestis representam cerca de 20-30 mil indivíduos, calcula que a travesti é mais vulnerável a morrer, geralmente vítima de arma de fogo na rua; cerca de 259 vezes mais risco em relação a gays e lésbicas (estima-se uma população em torno de 20 milhões de brasileiros).

O grupo registrou nos últimos anos uma queda acentuada no número de homossexuais assassinados no estado de São Paulo, embora tenha sido até recentemente o estado com maior número de casos por ano (no ano 2000, 21 assassinatos, no ano 2001, 24 homicídios, 2002, 19 homicídios). Em 2005 reduziu-se para 9 homicídios. Em 2007 foram registrados 7 homicídios de homossexuais no estado.

A Bahia é pela primeira vez o estado mais violento (2007), 18 assassinatos e o Nordeste a região mais perigosa: um gay nordestino corre 84% mais risco de ser assassinado do que no Sul e Sudeste. Maioria das vítimas tem entre 20-40 anos. Somente nos três primeiros meses do ano de 2008 o GGB documentou 45 homicídios de gays no país.

Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia diz: “muitos destes crimes foram cometidos com requintes de crueldade, incluindo tortura, espancamento, muitos golpes: crimes de ódio! Mesmo quando se trata de latrocínio, matar para roubar, a fragilidade social dos homossexuais estimula a ganância dos criminosos, geralmente de classe inferior à das vítimas".

Os dados são reveladores quando a vulnerabilidade de travestis, o GGB mostra que 73% das travestis assassinadas em 2007 eram profissionais do sexo. Segundo o grupo tal predominância se explica devido à prática da prostituição nas ruas e estradas, zonas muito freqüentadas por marginais, as travestis foram em sua maioria assassinadas a tiro (40%) em espaços públicos, enquanto os gays são executados dentre de casa, a facadas (31%).

 

HOMOSSEXUAIS ASSASSINADOS NO BRASIL: 1963-2007

ANO TOTAL
1963 – 1969 30
1970 – 1979 41
1980 -1989 503
1990 – 1999 1.256
2000 130
2001 132
2002 126
2003 125
2004 158
2005 81
2006 88
2007 122
Total 2802

DE 1963 A 2007: 2802 ASSASSINATOS

 

O GGB coleta seus dados através de levantamento limitado em jornais e internet. Para o Grupo a falta de estatísticas oficiais sobre crimes de ódio, tais como nos EUA, que possuem coleta rigorosa de estatísticas sobre “hate crimes” colabora para menosprezar os dados. No ano de 2000 registrou 130 homicídios no Brasil, em 2001 respectivamente, 132, em 2002, 126, em 2003, 125, em 2004, 158, em 2005, 81, 2006, 88, em 2007, 122. Para o GGB a redução de crimes no ano de 2005 para 81 homicídios, não se deve a maior tolerância da sociedade diante os homossexuais, antes diz Luis Mott: “estes números são apenas a ponta de um pavoroso iceberg de ódio e sangue. Não estamos sendo vitimistas nem exagerando ao indicar que certamente todo dia ao menos um homossexual é assassinado no Brasil, embora tais informações nem sempre cheguem até os militantes. Prova disto é que em 2004 foram registrados 158 crimes e em 2005 este número baixou incrivelmente para 81 – infelizmente não porque estamos conseguindo erradicar o ódio homofóbico ou porque os gays estão se cuidando mais. Tal redução pela metade se deveu à suspensão do “clipping” semanal sobre homicídios, devido à falta de financiamento para a manutenção desta pesquisa”.

No ano de 2007 faltaram informações sobre 4 estados: Rio Grande do Sul, Amapá, Rondônia e Roraima, ainda assim, o relatório compõem o quadro mais amplo sobre assassinatos de homossexuais no Brasil, sendo o principal documento mundial sobre crimes homofóbicos, seus dados são citados tanto pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos quanto pelo Departamento de Estado dos EUA.

O grupo alerta que o Brasil é campeão em assassinatos de gays, travestis e lésbicas; no México, por exemplo, foram 35 assassinatos; nos EUA, que possuem estatísticas oficiais de crimes de ódio foram 25 assassinatos em 2007.

 

HOMOSSEXUAIS ASSASSINADOS POR ESTADO – 2001

ESTADO

GAY TRAVESTI LÉSBICA TOTAL
SP 13 11 - 24
PE 7 9 - 16
BA 11 3 - 14
DF 9 2 - 11
AM 7 1 1 9
MG 8 1 - 9
PR 4 3 - 7
PB 4 - 1 5
RJ 3 2 - 5
AL 1 3 - 4
MT 3 1 - 4
SE 2 1 - 3
RN 3 - - 3
RS 3 - - 3
PA 3 - - 3
CE 2 - 1 3
ES 1 1 - 2
GO 2 - - 2
PI 1 1 - 2
SC 1 1 - 2
MS - 1 - 1
TOTAL 88 41 3 132

 

HOMOSSEXUAIS ASSASSINADOS POR ESTADO – 2002

ESTADO

GAY

TRAVESTI

LÉSBICA

TOTAL
1. BA 17 2 1 20
2. SP 7 12 - 19
3. PE 13 2 1 16
4. AM 8 4 - 12
5. PR 7 4 - 11
6. GO 7 1 1 9
7. MG 6 - - 6
8. PI 3 1 1 5
9. RS 4 1 - 5
10. SC 3 1 - 4
11. CE 3 - - 3
12. RJ 2 1 - 3
13. AL 2 - - 2
14. ES 2 - - 2
15. MT 2 - - 2
16. PA 1 1 - 2
17. RN 1 1 - 2
18. MA 1 - - 1
19. PB 1 - - 1
20. RO - 1 - 1

TOTAL

90 32 4 126

 

HOMOSSEXUAIS ASSASSINADOS POR ESTADO: 2005

ESTADO GAY TRAVESTI LÉSBICA TOTAL
( ) 3 - - 3
SP 6 3 - 9
BA 4 3 - 7
RJ 8 3 1 12
GO 4 3 - 7
PE 3 2 - 5
SC 3 1 - 4
CE 5 1 - 6
PB 3 - - 3
AM 3 - - 3
MT 3 1 - 4
TO 2 - - 2
SE 2 - - 2
PR - 2 - 2
MG 1 1 - 2
RS 2 - - 2
RN 1 - - 1
ES 1 - - 1
MS 1 - - 1
PA 1 - - 1
MA - 4 - 4
Total 56 24 1 81

Fonte: Grupo Gay da Bahia

 


 

CONFIRA OS RELATÓRIOS DO GRUPO GAY DA BAHIA

Assassinatos de homossexuais no Brasil em 2007:

http://www.ggb.org.br/assassinatos_2008.html

Assassinatos de homossexuais no Brasil em 2005:

http://www.ggb.org.br/assassinatos2005.html

Assassinatos de homossexuais no Brasil em 2002:

http://www.ggb.org.br/crime.html

Assassinatos de homossexuais no Brasil em 2001:

http://www.ggb.org.br/ftp/mateigay.zip

 

Veja dados sobre homofobia para 2008