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Planos de combate à Violência
Essas medidas apontam para maiores gastos com veículos, policiais e armamento, como revela o quadro publicado na matéria sobre as “Ações e Promessas do Governo Covas/Alckmin”, de 11 de novembro de 2001.
Após o seqüestro da filha do apresentador Silvio Santos, do publicitário Washington Olivetto e do prefeito de Santo André, Celso Daniel, este último com término trágico, em 20 de janeiro de 2002, voltaram à tona a necessidade de medidas relacionadas ao combate à criminalidade.
Uma nota na mesma reportagem informa sobre a possibilidade do presidente Fernando Henrique Cardoso criar a “Câmara de Gestão da Crise da Segurança Pública”, nomeando para a função o general Alberto Cardoso, que aponta falhas do governador Geraldo Alckmin no combate à criminalidade, por não haver ações de prevenção à violência, que devem ser articuladas com a repressão ao crime.
José Vicente da Silva, pesquisador do Instituto Fernando Braudel, considera que “o agravamento da pena por porte ilegal de armas não é muito eficaz, já que um dos problemas não é o tamanho das penas, mas a certeza de que ela vai ser executada e chegar ao infrator”. No final da matéria é colocada a consideração dos políticos do PT, presentes no velório de Celso Daniel, como sendo ineficaz o pagamento de recompensas para quem der informações sobre os culpados pela morte do político.
Ao lado da matéria encontra-se um quadro que ameniza as críticas da matéria, já que coloca os Compromissos do Governo Federal e os Principais Resultados, expondo apenas os tópicos em que medidas foram tomadas. As medidas anunciadas parecem ser de impacto reduzido e duvidoso.
O tema da insegurança, caderno Cotidiano na edição do dia 22 de janeiro, p.09, é retratado no âmbito da elite empresarial: “empresários sentem-se desprotegidos”. A matéria informa que os líderes de empresas e de entidades representativas de empresários cobram mudanças nas políticas de Segurança Pública e no combate à corrupção policial. Num quadro ao lado são destacadas frases de empresários como Horácio Lafer, Abran Szajman, Lawrence Pich, Paulo Cunha. Ivoncy Ioschpe diz que “ninguém pode imaginar qualquer sistema funcionando num ambiente sem proteção necessária de segurança... Isso prejudica não só as pessoas, como as decisões de investimentos. Quando o cartel de drogas tomou conta de alguns países latinos, como a Colômbia, esses países não viram mais a cor de investimentos.”
Na mesma página, o jornal ainda destaca a ampliação dos gastos dos empresários com segurança privada, empreendimento extremamente lucrativo, que viceja à sombra da crise da Segurança Pública. Os empresários gastam em torno de 7,8 milhões de reais com segurança pessoal: carros blindados, vigilantes e segurança eletrônica nas empresas.
Muitas das decisões do Plano de Combate à Violência referem-se a reformulações e investimentos na polícia. As matérias do jornal também traduzem a segurança pública em problemas vinculados à área policial. Na reportagem “Aumento de investimento não detém crimes”, caderno Cotidiano, de 27 de janeiro de 2002, avalia-se, através dos governos estaduais desde Paulo Maluf (1979) a Geraldo Alckimin (2001), que os investimentos tiveram pouco impacto sobre determinados tipos de crimes. O título da matéria sugere idéia contrária ao que é dito na reportagem. O jornal sugere que mais gastos com policiais devem ser feitos para combater o crime, na medida em que “Somente o seqüestro, crime que resultou na morte do prefeito Celso Daniel, de Santo André, cresceu 300% no último ano, contra 30% do aumento no orçamento em investimentos na Segurança Pública nas gestões tucanas.”
Apesar de argumentar que o aumento da criminalidade também está vinculado à corrupção policial, a matéria não explora quais seriam essas conexões.
As matérias expressam a maior visibilidade que o problema da segurança pública teve nos últimos dez anos e que esse fato refletiu-se diretamente em maiores recursos destinados às polícias e não em mudanças nas políticas e nas ações. A matéria exprime a idéia de que os gastos no setor policial, nas diferentes gestões dos governantes, deveriam ter algum impacto sobre o crime.Houve um significativo investimento em segurança pública no estado de São Paulo desde o começo da década de 90, principalmente em equipamentos para as polícias (veículos, armas e coletes) e em efetivo.
Na reportagem, caderno Cotidiano do dia 24 de janeiro de 2002, p.06, cuja chamada é “Alckmin recicla medidas em novo pacote”, observa-se críticas feitas ao governo estadual em relação ao que já poderia ter sido feito em 2000, como a substituição de policiais militares em funções administrativas por civis. O novo plano conta com a criação de 12.600 vagas em presídios, a compra de 2.532 veículos para polícia, a ampliação do Sistema Informatizado de Mapeamento de Crimes, Infocrim, a contratação de guardas de muralhas civis e a ampliação da Corregedoria de Polícia do Estado. O reforço à Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), anunciado por Alckmin, é citado juntamente aos discursos de Paulo Maluf (PPB) e José Genuíno (PT), candidatos ao governo do Estado, que aproveitaram o mote eleitoral.



