Notícia - Portal Brasil de Fato - 04/03/2010
Mobilização da categoria pressionou o prefeito Beto Richa (PSDB) por melhores condições salariais e de trabalho
Pedro Carrano
de Curitiba (PR)
A política de Beto Richa (PSDB), prefeito de Curitiba, futuro candidato a governador, com os movimentos sindical e popular tem sido marcada por diferentes tonalidades: a mais comum passa pela cooptação, lançando mão de audiências públicas com compra de lideranças. Noutros casos, é aplicada a repressão direta, como nos despejos forçados em áreas de ocupação urbana da cidade.
Ao longo da greve dos Guardas Municipais de Curitiba, finalizada no dia 02 de março, após nove dias de duração, Richa buscou deslegitimar as denúncias de condições precárias da categoria, por meio de jornal específico e da página na internet da prefeitura. Antes disso, o silêncio frente à exigência de negociação da categoria. “A reação da prefeitura é apática, Beto Richa está promovendo o descaso total”, protestou um dos guardas, durante manifestação em frente à prefeitura de Curitiba.
Desde 2009, os Guardas Municipais reivindicam 14 itens que envolvem a melhoria de suas condições de trabalho e salário. Apesar de concursados, os guardas de Curitiba apresentam o piso salarial na faixa de R$ 700. Para ter uma ideia, o município vizinho, de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, têm o piso de R$ 1367. O salário, neste sentido, muitas vezes é menor que o de um vigilante terceirizado.
No relato dos guardas, desde o dia primeiro de fevereiro a categoria realizou acampamento frente à prefeitura, para abrir canal de negociação. O poder público fez proposta de 6% de aumento, ao passo que a exigência do movimento era de 80%, ainda que de forma parcelada. Com a proposta de reajuste de 19,5%, a categoria decidiu em assembleia encerrar a greve, mas segue em mobilização, em busca do piso de 1,3 mil.
“Continuamos a discussão da pauta (sobre as condições de trabalho) e entramos no debate do plano de carreira nos próximos 90 dias, um plano a partir da visão dos trabalhadores. Na greve ficou claro que a administração Beto Richa não tem política de Estado para a questão da segurança pública”, diz Alessandra Oliveira, da direção do Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc).
Outro ponto em aberto, de acordo com o Sismuc, é a situação de 179 guardas (do total de 1746 da categoria) que ficaram de fora da proposta de aumento. São profissionais contratados nas décadas de 1970 e 1980, que apresentam atualmente o piso em volta de R$ 600.
Condições precárias e subvalorização do trabalho
Os guardas reclamam da falta de unidades para os locais onde atuam (postos de saúde, armazéns da prefeitura, parques, jogos de futebol, praças públicas, etc). “Não temos direito nem a uma cadeira. Se o guarda leva uma mochila, não tem onde guardá-la. Não temos banheiro”, enumera Pedro Cesar da Silva, na profissão há quatro anos, participante da greve. Treinamento, vale-transporte, local adequado para alimentação, são outras questões enumeradas em uma longa lista.
A jornada de trabalho é uma das principais preocupações de Cesar da Silva. Hoje, o salário-base dos guardas municipais está fixado em R$ 700. Com o salário subvalorizado, o trabalhador é obrigado a estender a jornada de trabalho para os finais de semana, em busca da hora-extra, uma jornada que se estende entre 55 até 65 horas semanais. O prefeito Beto Richa coloca no próprio site da Prefeitura as horas-extras para justificar que o salário não se limita a apenas R$ 700. “Trabalho onze horas por dia e mais 24 horas no final de semana”, expõe Cesar da Silva. “Só fico para dormir em casa”, comenta outro guarda durante a mobilização.
“Todo o tempo nós estamos falando em piso salarial, mas a Prefeitura fala apenas em remuneração. Beto Richa faz propaganda enganosa com relação ao nosso salário, questão que foi esclarecida durante as nossas passeatas. Os guardas estavam com contracheque nas mãos para esclarecer, divulgamos isso para a população e para a mídia”, comenta o guarda Giuliano, da direção do Sindicato (Sismuc).
*Números *
1746. Número de guardas municipais, que possuem:
- 1.500 coletes
- 634 armas
- 391 aparelhos de comunicação
186. Número de guardas municipais operando sem qualificação, colete e distintivo.
FONTE: SISMUC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba)



