Marília tem carência de abrigos

Notícia da imprensa (Jornal da Manhã - Marília, 11/03/2010).

Marília tem entidades abrigos para meninos e meninas vítimas de maus tratos ou em situação de risco social. No entanto, de acordo com o poder judiciário, faltam vagas para o acolhimento de adolescentes com desvio de comportamento. Por conta disso, a Casa do Pequeno Cidadão implantou uma unidade com esse perfil para o sexo masculino e vai abrir outra para o feminino.

O juiz da Vara da Infância e Juventude, Donizete Aparecido Pinheiro da Silveira, mencionou que o município conta com um suporte de acolhimento de menores, mas que hoje há uma carência de abrigos voltados a adolescentes com desvio de comportamento.

O Cacam, mantido pelo município em parceria com o Rotary Club, é um Centro de Atendimento à Criança e ao Adolescente, mas funciona como uma porta de entrada do abrigamento. Quando a criança não volta para a própria família, nem é adotada, acaba direcionada para a Associação Filantrópica (meninos) ou Lar de Meninas Amelie Boudet.

No entanto, a Filantrópica tem resistência em acolher maiores de sete anos, o que dificulta a educação moral e o preparo para a vida adulta, e o Lar Amelie Boudet acolhe meninas mais velhas, mas desde que, embora vítimas de uma situação familiar e social ruins, tenham boa conduta.

“O problema é encontrar o acolhimento para adolescentes com desvio de personalidade, daí termos feito a reivindicação junto à Prefeitura Municipal”, mencionou o juiz da Vara da Infância e Juventude.

Desde o ano passado a unidade 9 da Casa do Pequeno Cidadão, no distrito de Padre Nóbrega, acolhe 24 meninos adolescentes com esse perfil, mas ainda existe espaço no município para mais entidades com a mesma função. Segundo o juiz, grandes instituições não existem mais porque não são positivas para as crianças e adolescentes. O ideal é que pequenas entidades existam em maior número.

Em países de primeiro mundo, por exemplo, Silveira mencionou que as entidades foram substituídas pela guarda remunerada. Família que se dispõe a acolher e cuidar de uma ou algumas (poucas) crianças e recebe uma remuneração do governo, como ajuda de custo.

Dentro de alguns meses, o que depende da contratação de funcionários por concurso público, a Secretaria Municipal de Assistência Social, que administra o projeto da Casa do Pequeno Cidadão, vai implantar um abrigo feminino, onde era a antiga Arca de Noé, na zona oeste.