Proposta para monitorar presos é "para inglês ver", diz OAB

Notícia da imprensa (Agência Brasil, 27/05/2010).

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, afirmou nesta quinta-feira que a proposta de monitoramento eletrônico de presos, aprovada pelo Senado na semana passada, não tem eficácia. Em entrevista ao programa "Revista Brasil", da Rádio Nacional AM, Cavalcante criticou a falta de investimento do governo para reintegrar o presidiário à sociedade.

O advogado acredita que o governo não tem condições de colocar a medida em prática. "Se o Estado brasileiro infelizmente mal consegue, dentro do próprio sistema penitenciário, conferir dignidade e reinserir socialmente essas pessoas, imagine com 80 mil pessoas postas na rua sem qualquer política de reinserção social", disse.

Cavalcante disse ainda que o acompanhamento psicológico de condenados no Brasil é deficiente e citou o caso do pedreiro Adimar Jesus da Silva, que matou seis adolescentes em Luziânia (cidade goiana a 58 km de Brasília) uma semana depois de ser libertado. "Isso é tirar o leão da jaula e jogar na sociedade sem qualquer tratamento", disse.

A OAB considera que o uso da pulseira fere a dignidade do ser humano e prejudica ainda mais a reintegração do preso na sociedade.

O presidente da OAB avaliou que a redução no custo do preso, de R$ 1,6 mil para R$ 400 mensais, não deve ser levada em conta.

O projeto que prevê a liberdade e o rastreamento eletrônico, por meio de uma pulseira, de aproximadamente 80 mil presos foi aprovado pelo Senado Federal no dia 19 deste mês e precisa ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.