01/07/2010-20h20
ROGÉRIO PAGNAN
ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO
Os policiais militares Pascoal dos Santos Lima e Lelces André Pires de Moraes foram denunciados nesta quinta-feira à Justiça pelo assassinato do coronel José Hermínio Rodrigues, ocorrido em janeiro de 2008, na zona norte de São Paulo.
O soldado Lima está preso desde o dia 11 de junho acusado pela morte do dono de duas farmácias. O 2º sargento Moraes também está preso e é filho de um coronel reformado da PM.
Segundo o promotor de Justiça Militar Waldevino de Oliveira, Lima e Moraes mataram o coronel Rodrigues por vingança.
Ambos estavam insatisfeitos porque a vítima havia determinado que fossem retirados do serviço de patrulhamento das ruas na área do 18º Batalhão, e colocados no serviço burocrático da PM.
Para os responsáveis pela investigação do caso, os dois PMs acreditavam que, com a morte do coronel Rodrigues, ambos voltariam para o serviço nas ruas.
Lima e Moraes foram acusados pelo promotor Oliveira por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e com surpresa da vítima) e por violação de dever inerente ao cargo, crime previsto no Código Penal Militar.
A reportagem não localizou os advogados de defesa dos dois PMs acusados pela morte do coronel Rodrigues.
Tiros no coronel
Em julho de 2008, o DHPP apontou o soldado Pascoal como principal responsável pela morte do coronel Rodrigues. Ao todo, ele é suspeito de envolvimento em 12 atentados, entre chacinas e homicídios, que deixaram 17 mortos, isso segundo o DHPP.
Os investigadores do caso acreditam que uma das principais motivações para a morte do coronel Rodrigues foi o fato de o soldado Pascoal ter sido transferido da Força Tática (espécie de tropa de elite de cada batalhão da PM) do 18º Batalhão para o setor administrativo do 43º.
A transferência foi motivada porque Pascoal era um dos PMs que mais se envolviam em ocorrências policiais que terminavam em morte na zona norte.
Para o DHPP, o soldado Pascoal estava insatisfeito com a transferência das ruas para o setor burocrático e, por isso, resolveu matar seu superior na avenida Engenheiro Caetano Álvares, uma das mais movimentadas da zona norte da cidade.
O coronel Rodrigues andava de bicicleta, à paisana, e desarmado ao ser atingido pelos tiros de um motoqueiro que encostou ao seu lado para cometer o atentado.
De acordo com o delegado Marcos Carneiro Lima, à época no DHPP, uma testemunha reconheceu o capacete com desenho de chamas, uma moto Falcon, uma jaqueta e uma bota da PM que eram do soldado Pascoal como os mesmos usados pelo assassino do coronel.
Em julho de 2008, quando o DHPP apontou o soldado Pascoal como responsável pela morte do coronel Rodrigues, a namorada do oficial, Ângela Bruno, dizia não acreditar que sua morte havia sido cometida apenas por uma pessoa e por um motivo tão pequeno como uma vingança pela transferência de setor de um soldado da PM.



