Projeto Lua Nova, em Araçoiaba da Serra

Notícia – Globo.Com – Projetos Apoiados – 02/07/2010

Projeto Lua Nova, em Araçoiaba da Serra

 

Ao chegar a Araçoiaba da Serra, a 123 quilômetros de São Paulo, a Caravana da Esperança visitou  o “Condomínio Social” – dez casinhas de tijolo aparente, uma ao lado da outra – um dos símbolos do trabalho do Lua Nova, projeto que acolhe adolescentes e jovens grávidas. As casas foram construídas pelas próprias meninas, garotas que viveram grande parte das suas vidas nas ruas, vendendo drogas, sofrendo abusos e, vez por outra, morando em abrigos mantidos pelo poder público. Além de ter construído os imóveis, elas são as proprietárias.

 

O projeto de construção das casas – há mais 12 em construção – é tocado por um dos braços do projeto, a Empreiteira Escola, em parceria com o Senai e a Escola de engenharia e coordenado por duas jovens profissionalizadas pelo Lua Nova, hoje mestres de obra certificadas pelo Senai. “É um orgulho construir casas. Logo eu, que achei que nunca teria nada, nada, nada”, diz Ana Lúcia Veiga, 28 anos, mãe de Jonathan, 9, e Carlo, 7.

 

No projeto Lua Nova, as meninas recebem orientação multidisciplinar, carinho e doses imensas de credibilidade que as ajudam a construir um sentido para a vida. O resultado é a possibilidade real de sustentar a nova família que, muitas vezes, surgiu de um estupro ou de um abuso cometido por familiar próximo.

 

Não há histórias fáceis na Lua Nova. T., 16, teve seu primeiro filho aos 12, depois de ser estuprada pelo tio. O pai da menina morreu no dia em que recebeu a notícia da violência cometida pelo irmão. “Não quero ficar longe do meu filho e não tenho como voltar para casa. Minha mãe mora nos fundos da casa do meu tio e ele não foi preso”, resume a menina, de tênis e camiseta, com ares de roqueira.

 

O Lua Nova possui o único abrigo do Estado de São Paulo que permite às mães, de qualquer idade, permanecerem junto aos seus filhos. Rejane Cardoso, 30, tem quatro crianças. Morou na rua desde os 9 anos de idade e perdeu a conta das cidades em que viveu. “Só usei droga até os 12 anos, então não me acabei muito”, conta. Há cinco anos no projeto, ela realizou um sonho: tem uma casa e reuniu os filhos todos. “Agora somos uma família e vou dar a eles uma vida que nunca tive, na verdade, uma vida que vida que nunca sonhei ter”.