Perícia revela indícios de execução em mortes durante operações do Bope

O Extra 19/03/2017

 

Investigações de três assassinatos durante incursões do Batalhão de Operações Especiais (Bope) nos morros do São Carlos, no Estácio, e da Coroa, no Catumbi — ambos no Centro do Rio —, em maio e junho de 2015, revelam que as vítimas foram executadas. Um laudo de reprodução simulada indica que o entregador de pizza Rafael Camilo Néris, de 23 anos, foi assassinado com tiros nas costas, já deitado no chão. Já um outro laudo pericial revela que os mototaxistas Ramon Moura de Oliveira, de 22, e Rodrigo Marques Lourenço, de 29, após serem mortos, tiveram seus corpos arrastados e jogados numa ribanceira.

O EXTRA teve acesso, com exclusividade, à integra dos inquéritos que investigam os crimes. O caso de Rafael já foi enviado ao Ministério Público para ser denunciado à Justiça; já a investigação da morte dos mototaxistas segue na DH.

Rafael foi morto em 28 de junho de 2015. Na ocasião, ele estava na Praça da Serra Pelada, Morro da Coroa, quando o Bope entrou na favela. Três PMs da unidade contaram, em depoimento, que foram atacados por traficantes e revidaram os disparos. Disseram também que, após encontrarem Rafael baleado, o levaram ao Hospital municipal Souza Aguiar, onde o jovem chegou morto. Na 5ª DP (Mem de Sá), os PMs apresentaram uma pistola e disseram que estava perto de Rafael.

Depoimentos de testemunhas e laudos periciais desmontaram a versão dos agentes. Em seu relato à polícia, uma moradora da favela afirmou que, após ser baleado, Rafael ainda pediu ajuda antes de ser atingido por novos disparos. O laudo de reprodução simulada, baseado na necropsia do cadáver e na posição dos agentes, revela que o entregador foi atingido em dois momentos distintos: primeiro na perna, quatro vezes, de baixo para cima; em seguida, três tiros nas costas, de cima para baixo. Para o perito Sérgio Saraiva, que produziu o laudo, há hipótese de os disparos fatais terem sido feitos com a vítima deitada no chão.

Há outro indício, na investigação, de que os disparos nas costas de Rafael foram para executá-lo. No Boletim de Atendimento Médico (BAM) de Rafael no Souza Aguiar, a equipe médica que o atendeu relatou a presença de “chamuscamento e tatuagem profunda” nas entradas dos projéteis nas costas do jovem — sinal de disparo à curta distância.



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