Segurança Pública

Viaturas da PM de São Paulo vão ganhar câmeras e 'GPS do crime'

Notícia da imprensa (O Estado de S. Paulo, 31/08/2010).

A PM prepara um pacote para mudar o patrulhamento nas ruas do Estado de São Paulo. Ela vai instalar câmeras em seus carros e um computador de bordo que vai avisar aos policiais quando se aproximam, por exemplo, de um bar onde há denúncia de venda de drogas ou de um cruzamento em que ocorrem muitos assaltos.

A aposta da PM na tecnologia obedece à lógica de que os novos sistemas devem melhorar a eficiência e a segurança. Devem ainda aumentar o controle dos supervisores, que poderão verificar possíveis falhas nos procedimentos e até desvios de conduta ou servir de prova para comprovar a legitimidade da ação.

A tecnologia também deve mudar a vida do paulistano. Quem se envolver em um acidente de trânsito, por exemplo, receberá do agente uma senha com a qual poderá, após 48 horas, entrar na web e obter uma cópia do B.O.

O sistema acoplado a um GPS vai avisar quem são os ladrões que costumam agir na região e mostrar fotos dos suspeitos. Também vai indicar o trajeto que a viatura deve fazer, de acordo com índices de criminalidade online. Um sensor mostrará quando o carro e os policiais estão em perigo.

Região Sul lidera o top 10 de mortes em SP

Notícia da imprensa (Diário de S. Paulo, 29/08/2010).

Sete dentre as dez delegacias da capital com maior número de homicídios registrados no primeiro semestre deste ano estão na Zona Sul, segundo levantamento obtido pelo DIÁRIO com base nos dados da Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria de Segurança Pública. O Capão Redondo, na Zona Sul, atendido pelo 47º Distrito Policial (DP), encabeça a lista: foram 33 mortes nos últimos seis meses. Mas, apesar da liderança, o número de assassinatos entre janeiro e maio na Zona Sul caiu 8% em relação à 2009.

Em contrapartida, no mesmo período, na Zona Norte, as mortes subiram 9% (veja ao lado). A região tem duas delegacias entre as dez com mais homicídios dolosos (com intenção de matar): Jaçanã (73º DP) e Vila Penteado (72º DP) aparecem na segunda e quarta colocações, respectivamente. Foi no Jaçanã que, na última quarta, para fugir de um assalto, um motorista dirigiu baleado e capotou o carro, onde estava com a mulher e o filho de 20 dias.

Os assassinatos também subiram no Centro (45%), na área que compreende Mooca e Penha (52%) e em Itaquera (29%), ambas na Zona Leste. Mas são regiões que não estão dentre as com maior violência na cidade. Os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) nas zonas Sul, Oeste e na região de Itaquera dobraram no período em comparação com 2009.

Como em 7 anos o crack mudou uma metrópole

Notícia da imprensa (Estado de S. Paulo, 27/08/2010).

Era o ano de 1995 quando a família Peixoto, composta por alguns dos mais notórios traficantes da Pedreira Prado Lopes, tradicional favela de Belo Horizonte, começou a comercializar o crack na cidade. A droga já havia se estabelecido em São Paulo no começo dos anos 1990. Na capital mineira, assim como ocorreu entre os paulistas, a nova mercadoria iniciou um processo de rápidas transformações na estrutura do comércio de droga. Era a primeira fase da venda do crack, marcada pela descentralização da rede de traficantes, disputas fatais, ciclos de vingança, traições e retaliações a consumidores. Sete anos depois, parte da cidade havia sido devastada pela violência.

As transformações no universo criminal de Belo Horizonte ocorridas com a chegada do crack e os diferentes estágios do comércio da droga foram reconstituídos por uma equipe de nove pesquisadores e os resultados divulgados ontem na capital mineira. "Fizemos um estudo de caso em Minas, mas as conclusões servem para identificar os efeitos da chegada do crack que são comuns às grandes cidades brasileiras", diz o sociólogo Luis Flavio Sapori, do Centro de Pesquisas em Segurança da PUC de Minas, que coordenou a pesquisa.

Antes da droga chegar, entre os anos de 1991 e 1995, quando o tráfico vendia maconha e cocaína, a taxa média de homicídios entre jovens de 15 a 24 anos em Belo Horizonte era de 51,2 por 100 mil habitantes. Durante o período mais violento, entre 2001 e 2005, os números na mesma faixa etária tinham saltado para 216,7 por 100 mil.

Se a porta de entrada foi o bairro de Pedreira, a violência só se disseminou na cidade quando outras favelas, como Morro das Pedras, Cabana do Pai Tomás e Cafezal, passaram a vender o crack. Em Pedreira havia um mandachuva que dominava o morro, sem a pressão de concorrentes, chamado Roni Peixoto. A violência no bairro degringolou depois de sua prisão, no começo de 2000. Quatro facções passaram a disputar os pontos. Nas demais favelas, onde o tráfico era menos estruturado e a competição, acirrada, o mata-mata já fugia do controle. E avançava na franjas da metrópole.

UPPs passam a ser tratadas como ‘atração turística’

22/08/2010

 

Notícia: Portal Veja

 

UPPs passam a ser tratadas como ‘atração turística’

 

Boa parte das favelas cariocas está encarapitada sobre os morros da cidade, de onde se tem vistas espetaculares. Durante décadas, essa localização serviu para transformá-las em abrigo seguro para traficantes. Recentemente, esses territórios começaram a ser recuperados para a cidade por meio de uma política de segurança calcada na implantação de UPPs, as Unidades de Política Pacificadora, que encravam batalhões de policiais onde antes a bandidagem reinava. Foi uma iniciativa louvável, que tem se mostrado eficaz. Bastou um ano, porém, para que a boa ideia das UPPs tivesse um desdobramento espúrio.

 

Com assinatura do Ministério do Turismo e do governo do estado, deverá ser lançado com grande estardalhaço no dia 30 de agosto, no Morro Dona Marta, um programa batizado de “Rio Top Tour”. Seu objetivo é estimular a visitação das encostas ocupadas pelas favelas, e 230 000 reais serão gastos para treinar os moradores locais como guias turísticos. Considerado o peso das UPPs na propaganda do governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição no Rio, o lançamento do ‘Top Tour’, tal como anunciado, tem inegável sabor eleitoreiro. A presença do presidente Lula é aguardada, na laje onde foi gravado o clipe do cantor Michael Jackson em 1996. Na ocasião, também deverá ser badalado o projeto UPP Social, iniciativa que pretende abarcar, de uma vez só, todas as demandas sociais das favelas com UPPs. Atualmente, há 12 favelas com UPPs; a meta do governo do estado é ter 40 favelas incluídas no projeto até 2014.

 

Os benefícios e lacunas da política de pacificação estão às claras em qualquer visita às favelas. A constatação óbvia é a de que o controle territorial por criminosos foi interrompido. Mas quem sobe o morro percebe que, a despeito dos avanços no quesito segurança, a favela está longe de ser algo do qual a cidade possa se orgulhar. “Sinceramente, não sei o que tanto interessa a eles aqui”, afirma a dona-de-casa Josefa França de Figueiredo, moradora do Dona Marta, em Botafogo, que recebeu a primeira UPP.

  O espanto de Josefa é com o fluxo de visitantes que, desde a chegada dos policiais – e a saída dos bandidos – substituiu o entra-e-sai de consumidores de drogas. Na última quarta-feira, Naomi Polaty, 45, brasileira que vive há 27 anos na Alemanha, matava a curiosidade de saber como é a vida na encosta íngreme que, por décadas seguidas, foi controlada por bandidos. Com a mãe, o marido e o filho de 10 anos, Naomi viu espalhados pela comunidade os cartazes que avisam sobre o ‘Rio Top Tours’. “É uma inversão. Mais urgente que o turismo é a qualidade de vida das pessoas”, afirmou.

 

Precariedade - A favela ainda depende de um sistema de canos improvisado para servir de esgoto – que, nos dias de chuva, provoca inundações de água contaminada nas ruas e casas. Só na última quarta-feira a população do Dona Marta começou a ser atendida pela Comlurb, a companhia de limpeza urbana do Rio, encarregada da coleta de lixo. Até então, quem fazia o trabalho eram garis comunitários.

 

O lixo é um dos problemas de outro ponto com visão privilegiada do Rio. No Morro da Babilônia, no Leme, ao lado da escadaria por onde já sobem turistas para conhecer a paisagem, acumula-se o lixo, transbordando de uma caçamba da prefeitura. A favela, que ganhou uma UPP em junho do ano passado, passou a ser roteiro de caminhadas ecológicas, recebe grupos interessados em fotografar o litoral de Copacabana do alto e propicia a grupos de pelo menos 20 pessoas uma feijoada no alto de uma das lajes do morro. No último réveillon, as vagas para assistir à queima de fogos de Copacabana foram disputadas – assim como no Pavão-Pavãozinho, no mesmo bairro, onde no mês passado foi inaugurado um elevador panorâmico feito com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

  

Ainda há, na favela, quem viva como nos primórdios da ocupação do morro, em barracos de madeira aproveitada e construídos na base do improviso. Maria Arteiro do Carmo, 64, criou oito filhos no Dona Marta, onde vive há 45 anos. Com renda mensal que não passa de 200 reais, depende de biscates para sobreviver. "Minha vida até agora não mudou nada", afirma.

 

 

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/upps-passam-a-ser-tratadas-como-%E2%80%98atracao-turistica%E2%80%99

Onze da noite é a hora em que se registram mais homicídios em São Paulo

Notícia - Folha Online - 15/08/2010 

 

Onze da noite é a hora em que se registram mais homicídios em São Paulo

DE SÃO PAULO  

 

No primeiro semestre de 2010, a cidade de São Paulo registrou no período das 23h à 0h o maior número de casos de homícidios, principalmente nas noites de quartas-feiras, quando acontecem as partidas de futebol.

O levantamento da Folha revela os horários e o dias em que a cidade mais registra homicídios, a partir da base de dados da polícia. No caso de assassinatos, a maior incidência ocorre aos domingos, informa reportagem de André Caramante, Afonso Benites e Rogério Pagnan publicada neste domingo pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

De 639 crimes analisados -97% dos 660 casos contados pelo Estado-, 48, ou 7,8%, ocorreram nessa hora.

O secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança, o sociólogo Renato Sérgio de Lima, também acredita haver uma relação entre as partidas de futebol e os crimes.

"A população também pode estar ficando mais nos bares", diz. "Não há nada de errado nisso. Mas a situação amplia o número de gente nas ruas e aumenta a possibilidade de crimes ocorrerem."

 

De acordo com o delegado Marcos Carneiro, considerado pelos colegas um estudioso das dinâmicas de crimes, boa parte dos homicídios ocorre por motivos banais.

Se o recorte é a semana, domingo é o dia que registra mais assassinatos: foram 110 casos no período, ou 17,2%. Depois vêm sexta e sábado.

Isso ocorre porque, com o fim de semana, as pessoas saem mais de casa a fim de se divertir, dizem especialistas, que citam, de novo, o fator álcool como preponderante.

Leia a reportagem completa na Folha