Segurança Pública

Pesquisa revela aumento de meninas em gangues do Distrito Federal

Notícia - Folha Online - 14/06/2010

 Pesquisa revela aumento de meninas em gangues do Distrito Federal

DA AGÊNCIA BRASIL

  

As gangues do Distrito Federal, que existem há mais de duas décadas, passaram a ter maior participação de meninas. A mudança de perfil é um dos resultados apontados no livro "Gangues, Gênero e Juventude: Donas de Rocha e Sujeitos Cabulosos", baseado numa pesquisa feita durante dois anos com 13 gangues de jovens moradores do Plano Piloto e da periferia de Brasília.

  

O livro -- que será lançado nesta segunda-feira pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), pela Central Única das Favelas (Cufa) e pela Secretaria de Direitos Humanos -- mostra que as gangues chegam a ter 800 pessoas e, agora, são formadas também pela "ala F".

  

"Há 10 anos fiz uma pesquisa e as meninas tinham um papel subordinado. Hoje é como na sociedade: elas não têm o mesmo papel que os meninos, mas dentro da gangue podem liderar as meninas", explica a socióloga Miriam Abramovay, coordenadora de pesquisa da Ritla.

  

Segundo a pesquisadora, mesmo sendo aceitas nas gangues as meninas sofrem alguma desconfiança. "As relações de gênero estão calcadas pelo negativo e pela negação de que as meninas podem ter os mesmos papéis dos meninos, porque efetivamente elas não têm", analisa.

  

Abramovay coordenou a pesquisa que entrevistou mais de 70 pessoas - 150 horas de entrevistas gravadas - e verificou que o envolvimento de jovens com as gangues passa pelo desejo de visibilidade. "Uma gangue se reúne para adquirir fama, para ter espaço na cidade, para ser conhecida e reconhecida em uma sociedade, que é do espetáculo, e todo mundo quer aparecer."

  

Os jovens apelam para a pichação de paredes e de locais públicos para ocupar espaço, "o que não conseguem de outros meios", lembra a socióloga. Segundo ela, o reconhecimento é valorizado entre os jovens. "Eles picham o nome de guerra ou apelido e o nome da gangue. Eles não picham para nós. A questão é ter fama entre eles, é conseguir pichar no lugar mais alto, mais difícil, mais importante, sair na televisão, sair no jornal e ser contra determinadas regras", enfatizou.

  

A socióloga ressalta que a sociedade, o Estado, a família e a mídia têm dificuldades para lidar com essa juventude. Em sua análise, a mesma sociedade que estimula o desejo de aparecer marginaliza e criminaliza quem participa das gangues.

  

O Estado não tem políticas preventivas. A escola, por exemplo, parece extremamente desinteressante para esses jovens. As famílias se sentem impotentes para lidar com o envolvimento dos filhos com as gangues, ainda que saibam dos riscos que correm. E a mídia, em geral, é pautada e alimenta os preconceitos sociais contra as gangues.

  

Para Abramovay, é preciso uma atuação que evite criminalizar as gangues. "Quanto mais punitiva a atuação, menos chegamos perto desse jovem e dessa jovem", salientou. O estudo faz uma série de recomendações, como projetos de inclusão social, construção coletiva de regras, atenção às famílias e reconhecimento dos adolescentes como interlocutores de suas demandas.

Violência nas estradas de SP bate recorde

Notícia – Folha Online - 13/06/2010

 

Violência nas estradas de SP bate recorde

 ALENCAR IZIDORO

DE SÃO PAULO

  

Há menos de dois anos, autoridades e técnicos comemoravam uma queda da violência no trânsito, atribuída ao efeito inicial da lei seca.

  

O cenário hoje frustra e preocupa: 2010 começou com uma disparada (recorde em pelo menos sete anos) de acidentes, feridos e mortos nas estradas de São Paulo.

  

Dizer apenas que tudo voltou ao que era seria otimista --porque a quantidade de feridos e de acidentes passou a ser a maior no mínimo desde 2003 (dados mensais de antes não estavam disponíveis) e a de mortos, desde 2005.

 

O número de vítimas que morreram nas rodovias estaduais paulistas de janeiro a abril saltou 20% em relação ao mesmo período do ano passado. O de feridos, mais de 10%. O de acidentes, 16%.

 

Na prática, significa um aumento de 32 acidentes, 11 vítimas e um morto por dia.

  

Os especialistas reconhecem que a economia aquecida e a elevação da frota --que subiu 5,5% no Estado em um ano-- contribuem para que mais carros, motos e caminhões peguem a estrada e fiquem sujeitos a batidas.

  

Mas isso está longe de explicar a piora da violência nas rodovias, às vésperas do aniversário de segundo ano da lei seca. A Polícia Rodoviária Federal reconhece que essa tendência é nacional.

  

As hipóteses citadas envolvem uma soma de fatores que vão do afrouxamento da fiscalização à difusão de motos nas estradas e de motoristas novos, inexperientes.

 

Fiscalização

  Há sinais de relaxamento da lei seca, mas também é consenso entre técnicos que combater os embriagados é só um passo, não a panaceia. Velocidade e sonolência

também são agravantes.

  

Dados históricos indicam que a principal culpa de acidentes é dos motoristas, por imperícia ou imprudência.

  

Mas a quantidade de multas neste ano nas estradas de São Paulo caiu 21%. O Estado não explica a queda, mas afirma que ao menos a fiscalização eletrônica não diminuiu --são 269 radares, contra 221 no ano anterior.

  

Já as operações de controle da embriaguez pela Polícia Rodoviária Estadual despencaram da média de quase 450 para menos de 200 por mês.

  

A versão oficial é de que a polícia redirecionou seu trabalho para outras ações de fiscalização porque houve "maior conscientização" sobre álcool ao volante, com uma queda de 50% de bêbados envolvidos em acidentes.

  

"A figura do policial atuante desapareceu", afirma José Alex Sant'anna, doutor em engenharia de transportes pela USP. Ele considera que os radares já não amedrontam --porque, com a exigência de placas para avisar onde eles estão, "os motoristas correm à vontade".

  

Uma lei sancionada há quatro anos pelo governo fe­deral abrandou as multas por excesso de velocidade, um incentivo para essa infração.

  Na prática, numa estrada com limite de 120 km/h, só quem está a mais de 180 km/h recebe a multa mais pesada, de R$ 574, e tem a CNH suspensa. Antes, a 145 km/h ele já recebia essa punição.

Abuso sexual cresce 23% no país

Notícia da imprensa (Diário de S. Paulo, 11/06/2010).

O número de denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Brasil cresceu 23,41% entre janeiro e maio de 2010, na comparação com mesmo período do ano passado, de acordo dados do Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes. Neste ano, 3.964 casos foram denunciados pelo Disque Denúncia Nacional, contra 3.212 em 2009.

Essas estatísticas levam em conta os atos sexuais consumados e os tentados.

OMS e escritório da ONU escolhem centros de excelência em reabilitação

Notícia da imprensa (Jornal do Brasil, 11/06/2010).

O combate às drogas no âmbito internacional tem obtido êxito com o programa Treatnet (Rede Internacional de Centros de Reabilitação e de tratamento de Drogas), coordenado pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O projeto consiste na cooperação entre 20 centros de reabilitação espalhados pelo mundo que trocam experiências bem sucedidas e informações para melhorar os serviços e torná-los acessíveis a quem precisa de ajuda.

Segundo o Unodc, estima-se que, em nível mundial, 205 milhões de pessoas utilizam drogas ilícitas, e pelo menos 25 milhões são dependentes.

Através dos trabalhos desenvolvidos pelos profissionais de saúde, os dependentes químicos desenvolvem sentimentos de trabalho em equipe, de responsabilidade e, principalmente, de cidadania e protagonismo. Sob a coordenação de Graziella Barreiros, o Núcleo de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas (Naps-ad), em Santo André, foi selecionado pelo Ministério da Saúde e pelo Unodc pelo grande potencial, e é o único centro brasileiro no projeto.

Morro do Alemão é mais seguro que a Zona Sul do Rio

Notícia da imprensa (Jornal do Brasil, 07/06/2010).

Os moradores do Complexo do Alemão, que não tem Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), sentem-se mais seguros do que quem mora na Zona Sul e na Barra da Tijuca. No entanto, quem vive no Alemão não se sente bem tratado pela polícia, que tem aceitação melhor nas outras duas regiões.

Essas duas conclusões estão num estudo divulgado, na segunda-feira, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mediu os índices de percepção da presença do Estado no asfalto e nas comunidades do Rio.

Foram 1.100 entrevistas entre setembro de 2009 e maio passado, elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) e o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, ambos da FGV.

Numa escala de 0 a 100 pontos, o primeiro tema foi cidadania: inclusão, justiça, segurança pública, universalismo e igualdade. Em 15 dias, serão divulgados índices sobre serviços do Estado.

Os mediadores são Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista do Ibre, e Marcelo Simas, coordenador da FGV Opinião.