Cidadania e Justiça

ECA precisa de atuação da sociedade

Jornal ABCD Maior13/07/2010
CRIANÇA E ADOLESCENTE
Por: Carol Scorce
Aos 20 anos, Estatuto depende de maior presença do Estado, na avaliação do presidente da Fundação Criança.
Nesta terça-feira (13/07), o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), principal código de defesa dos direitos dos menores, completa 20 anos de criação. O presidente da Fundação Criança de São Bernardo e coordenador do Grupo Técnico Criança Prioridade 1 do Consórcio Intermunicipal, Ariel Castro Alves, fala sobre os principais avanços que o Estatuto trouxe à proteção da criança e do adolescente e o que ainda falta ser feito. “O grande desafio após 20 anos do ECA está na sua efetiva implementação. Para tanto é necessária uma atuação maior do Estado e de toda a sociedade”, avalia.
 
ABCD MAIOR - O que mudou desde a criação do ECA?
ARIEL CASTRO ALVES - A grande mudança é que, anteriormente, no Código de Menores, vigorava a doutrina da situação irregular, pela qual o menino de rua, a menina explorada sexualmente, a criança trabalhando, o adolescente infrator, o menino vítima de tortura, entre outros exemplos de violações, estavam em “situação irregular” e deveriam ser “objeto” de intervenção dos adultos e do Estado, já que não eram considerados “sujeitos de direitos”. Com o Estatuto da Criança e do Adolescente, nessas situações acima mencionadas, quem está irregular é a família, o Estado e toda a sociedade que não garantiram a proteção integral às crianças e aos adolescentes, colocando-os a salvo de qualquer violação de seus direitos fundamentais. O grande desafio após 20 anos do ECA está na sua efetiva implementação. Para tanto é necessária uma atuação maior do Estado e de toda a Sociedade, principalmente através de orçamentos públicos e recursos privados destinados aos Fundos que priorizem a área social e a cidadania.
ABCD MAIOR - Quais são os principais avanços do Estatuto?
ARIEL - Conforme o Ministério da Educação e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 98% das crianças estão matriculadas no ensino fundamental e 82% dos adolescentes no ensino médio, mas é notória a baixa qualidade do ensino em boa parte das escolas públicas. A mortalidade infantil também reduziu mais de 50% nos últimos 20 anos. Porém, enquanto a mortalidade infantil diminuiu, as mortes violentas de crianças e jovens aumentaram nos últimos anos.
ABCD MAIOR - O que ainda precisa ser feito no que diz respeito à legislação e que o ECA ainda não contempla?
ARIEL - Entendo que já temos legislação suficiente, o que precisamos é da efetiva implantação da lei por parte do Poder Público, incluindo, principalmente, o Sistema de Justiça e de Polícia. O setor privado também ainda tem contribuído muito pouco diante de suas possibilidades. As doações aos Fundos da Criança e do Adolescente são muito baixas por parte de pessoas físicas e jurídicas, apesar de a lei prever o abatimento no Imposto de Renda.
ABCD MAIOR - Por que o ABCD tem sido considerado pioneiro e bem-sucedido em campanhas de preservação do direito da criança e do adolescente?
ARIEL - O ABCD foi pioneiro na criação de Conselhos Tutelares; Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente; Serviços de Acolhimento e abrigos, programas de atendimento às crianças e adolescentes em situação de rua; serviços de atendimento de crianças vítimas de violência; Varas da Infância e Juventude; programas de liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade para adolescentes infratores, entre outros. Porém, o ABCD ainda está atrasado na implantação de unidades de internação e de Delegacias Especializadas da Criança e do Adolescente. Iniciativas estas que não dependem dos Municípios e sim do governo do Estado. Também no ABCD, desde 1990, existe a articulação entre os municípios através do Consórcio Intermunicipal, e o tema da criança e do adolescente sempre foi pautado no Consórcio e se fortaleceu a partir de 1997, com a criação do Grupo de Trabalho e do Movimento Criança Prioridade 1.
ABCD MAIOR - Quais ações regionais que precisam ser colocadas em prática para aumentar ainda mais as boas ações na área?
ARIEL - Para 2010, entre as prioridades estão a implantação do Observatório e da Rede Regional da Criança e do Adolescente; o projeto “Vira Vida”, através de proposta de parceria com o Sesi (Serviço Social da Indústria); a melhoria do atendimento às crianças e adolescentes em situação de rua e o enfrentamento de todas as formas de abuso, exploração sexual e trabalho infantil. Além disso, há um ano estamos cobrando do governo do Estado a criação das delegacias especializadas da criança e do adolescente no ABCD. Ao menos uma delegacia em cada seccional.

Bebê vive com a mãe em cela da cadeia de Tambaú (SP)

Notícia da imprensa (Folha Online, 15/07/2010).

Um bebê nascido no último dia 6 em Tambaú (255 km de São Paulo) está há uma semana vivendo na cela da cadeia da cidade junto com a mãe e outras detentas.

A delegacia alega que não conseguiu vaga para a detenta Tatiane Janaína Januário, 24, em uma penitenciária adaptada para receber mulheres com seus bebês. Tatiane foi presa acusada de tráfico e está na cadeia desde novembro - ela descobriu que estava grávida em janeiro.

Ontem, às 18h, a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) enviou um e-mail à Folha informando que foi autorizada a transferência da presa para uma ala própria na Penitenciária Feminina da capital.

A secretaria informou ainda que a vaga já tinha sido comunicada à delegacia. Porém, na mesma hora, quando a Folha deixava a cadeia, o delegado José Guilherme Torrens de Camargo ainda não havia recebido nenhuma resposta.

Como é comum em outras cidades da região, a cadeia feminina de Tambaú está superlotada. Projetada para receber 20 presas, a unidade abriga 37.

Mutirão tenta tirar criança de abrigos

Folha de São Paulo, 14 de julho de 2010

Cadernos cotidiano

Justiça inicia ação para detectar crianças e jovens que estão há mais de dois anos longe do convívio familiar

Juízes irão até os locais com promotor, defensor público, familiares e técnicos de prefeituras; meta é cumprir o ECA


JOSÉ BENEDITO DA SILVA
DE SÃO PAULO

A Justiça de SP fará a partir do próximo dia 27 um mutirão em todos os abrigos de crianças e adolescentes do Estado para garantir um ponto fundamental do Estatuto da Criança e do Adolescente: o direito ao convívio familiar.
A ação vai reavaliar a situação de cada um dos cerca de 13 mil abrigados hoje no Estado -4.000 na capital.
A ofensiva é fortalecida pela nova lei de adoção, que acrescentou ao ECA, no final de 2009, dois pontos: ninguém pode ficar em abrigos por mais de dois anos e todos têm direito a ter sua situação reavaliada a cada seis meses.
As chamadas "audiências concentradas" vão durar três meses e serão realizadas nos próprios abrigos -públicos ou mantidos por ONGs.
Além do juiz, a audiência terá promotor, defensor público, familiares e representantes da prefeitura nas áreas de assistência social, educação, saúde e habitação.
"Esses abrigos deveriam elaborar para cada criança um plano individual de atendimento, com participação da prefeitura, para prever as necessidades dela e da família, mas a maioria não faz", diz o juiz Eduardo Rezende Melo, da Coordenadoria de Infância e Juventude do TJ.
O plano deve contemplar ainda todas as potencialidades da criança, os aspectos que devem ser favorecidos.
Não há idade mínima para uma criança ir para um abrigo nem um motivo único.
Pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de 2004 mostra que 24% estavam abrigados só porque a família era pobre. Depois vêm abandono (19%), violência doméstica (12%) e dependência química dos pais (11%). Os abrigos não recebem menores infratores.
"O ECA estabelece expressamente que a falta de recursos materiais não constitui motivo suficiente para perda ou a suspensão do poder familiar", diz Fernando Henrique de Moraes Araújo, coordenador de Infância e Juventude do Ministério Público.
O Ministério do Desenvolvimento Social conclui, com a Fiocruz, nova pesquisa sobre abrigados -a estimativa é que haja 50 mil no país.

LONGE DE CASA
Outro problema é a distância dos abrigos. "A lei diz que as crianças fiquem em abrigos perto de casa, para facilitar a visita das famílias", afirma Melo, que critica a falta de uma central de vagas.
"Você tem de ficar ligando de abrigo em abrigo para saber se tem vaga", diz.
Outro problema é a demora dos processos judiciais. Araújo cita, entre outras causas, a dificuldade de achar interessados na adoção, varas em que juízes e promotores acumulam funções, locais sem equipamentos e equipes técnicas qualificadas e a "ausência de olhar comprometido com a causa".

Câmara aprova MP que cria quatro ministérios e 190 cargos comissionados

Notícia da imprensa (Agência Estado, 07/07/2010).

O plenário da Câmara aprovou na noite de terça-feira, 6, uma medida provisória que transformou as secretarias especiais de Direitos Humanos, de Política para Mulheres, de Igualdade Racial e dos Portos em ministérios. A proposta aprovada criou ainda 190 cargos a serem preenchidos sem concurso público pelo Ministério da Saúde, incluindo os destinados à estrutura da Secretaria Especial de Saúde Indígena, e outros 16 para o Ministério da Integração Nacional. A MP de número 483 gerou uma despesa adicional aos cofres públicos de cerca de R$ 10,6 milhões.

A votação foi possível depois que a oposição concordou em parar com as manobras para obstruir a sessão. Por acordo entre governo e oposição, o plenário votou também a medida provisória 484, que autorizou o repasse de R$ 800 milhões para o Programa Especial de Fortalecimento do Ensino Médio. O programa é voltado para os Estados das regiões Norte e Nordeste. As duas MPs terão de ser votadas agora pelo Senado. A MP 483 perderá a validade no dia 4 de agosto, se não for votada até essa data, e a MP 484, no dia 9 de agosto.

Presídio do complexo Frei Caneca é demolido no Rio

Notícia – Yahoo Notícias – 03/07/2010

Presídio do complexo Frei Caneca é demolido no Rio

 

A Secretaria de Estado de Habitação (SEH) do Rio implodiu, no início da tarde deste sábado, o presídio Hélio Gomes, que integra o Complexo Penitenciário Frei Caneca, no centro da cidade. Foram usados 100 quilos de dinamite para detonar o presídio, que ocupava 5 mil metros quadrados, de uma área total de 66 mil m metros quadrados. Em março, os outros oito prédios do complexo foram implodidos com quase 600 kg de dinamite.

 Toda a área será utilizada para a construção de cerca de 2.500 unidades habitacionais para a população de baixa renda por meio do programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal. Terão prioridade as famílias desabrigadas pelas chuvas do mês de abril e moradores de áreas de risco da comunidade São Carlos. As obras do conjunto habitacional serão iniciadas ainda este ano.