Polícia
Notícia da imprensa (O Estado de S. Paulo, 11/06/2010).
Duas pessoas foram presas e um menor foi apreendido em flagrante no fim da noite de quarta-feira acusados de manter um homem refém durante um "julgamento" em uma casa no Jardim Santo Afonso, em Guarulhos, na Grande São Paulo. O homem, de 54 anos, tinha acabado de deixar a prisão, onde havia cumprido pena, entre outros crimes, por pedofilia. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), moradores do bairro decidiram se reunir para estabelecer mais uma punição.
No momento em que os policiais foram até o local, diversas pessoas fugiram pelos fundos e, na fuga, dispararam contra os agentes. Dentro da casa, os homens do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) encontraram o refém e familiares dele, que disseram que o homem foi retirado de sua casa por quatro pessoas desconhecidas e levado até aquele local, onde as pessoas presentes pretendiam matá-lo.
Notícia – Folha Online – 07\06\2010
Mais um PM é preso por mortes na Baixada Santista (SP); total chega a 23DE SÃO PAULO
Mais um policial foi preso neste fim de semana pela Corregedoria da Polícia Militar suspeito de envolvimento na série de homicídios ocorridos na Baixada Santista no mês de abril, informa reportagem do "SPTV" da TV Globo. No domingo, a Folha revelou a prisão de 17 PMs.
Desde a última quarta-feira, 23 PMs já foram presos. Todos os suspeitos foram trazidos de quartéis do litoral para a corregedoria, na capital paulista, onde terão de cumprir prisão disciplinar de até cinco dias.
Caso a corregedoria encontre evidências da participação desses policiais nos 23 assassinatos ocorridos entre 17 e 26 de abril deste ano, será pedido à Justiça a prisão temporária deles. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pela corporação.
Procurado pela Folha, o Comando Geral da PM informou que não iria se posicionar sobre o assunto para "evitar problemas no curso das investigações", que são feitas em conjunto com a Polícia Civil.
As prisões disciplinares dos PMs só aconteceram depois que a Polícia Civil deteve três pessoas por porte ilegal de armas na última quarta-feira. Uma delas forneceu nomes de policiais que poderiam ter relação com as 23 mortes na Baixada.
A Folha apurou que a Polícia Civil tem pelo menos dois focos de investigação. Um vai na linha de vingança de policiais pela morte do soldado da PM Paulo Rafael Pires, 27, morto a tiros em abril na periferia do Guarujá. As outras 22 mortes ocorreram na sequência da dele, todas a tiros.
A outra suspeita é a de que exista uma disputa de traficantes por pontos de venda de drogas na Baixada. Alguns dos detidos poderiam ter relação com essa briga.
Folha de São Paulo, 05 de junho de 2010
Cotidiano
Corregedoria apura se chefe da delegacia de Cumbica é dono da empresa
A Cerco Segurança age em casos de sequestro; suspeita é que empresa use servidores públicos para favorecer clientes
ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO
A Corregedoria Geral da Polícia Civil de São Paulo investiga o delegado Carlos Alberto Achôa Mezher, chefe da delegacia do aeroporto de Cumbica, sob a suspeita de que ele explore o ramo da segurança privada.
A Cerco Segurança Patrimonial e Vigilância Ltda. é registrada em nome de parentes do delegado: Mague Achôa Mezher e Patrícia Verginelli Mezher -mulher dele.
A suspeita é que ele seja o verdadeiro dono da empresa, que oferece justamente serviços que são atribuições do policial: "pronta resposta" para sequestro e ameaças de bomba, por exemplo.
A Corregedoria também investiga se a Cerco, por influência do delegado Mezher, usa servidores públicos para favorecer clientes -outro serviço oferecido é de "agilizar a retirada de documentos" como cédula de identidade e passaportes.
A empresa firmou nos últimos anos contratos de mais de R$ 4 milhões com o Estado e a Prefeitura de São Paulo, segundo documentos da investigação.
A Lei Orgânica da Polícia Civil não veda participação de policial como cotista de empresa privada, muito menos de seus parentes, mas o policial não deve participar do dia a dia da empresa, seja qual for seu ramo.
Mezher não aparece nos registros da Cerco Segurança, mas a Corregedoria investiga se ele atua por trás dos negócios.
A delegacia de Cumbica, onde trabalha Mezher, é vinculada à Divisão e Portos, Aeroportos, Proteção ao Turista e Dignitários da Polícia Civil.
PROTEGER AUTORIDADES
Outro serviço vendido pela empresa é de proteção de dignitários (autoridades).
"A Cerco mantém profissionais com treinamentos internacionais na área de segurança de executivos e dignitários, adestrados de acordo com modernas tendências das agências oficiais", propagandeia a empresa.
Alguns dos contratos da Cerco envolvem a Secretaria de Estado da Educação, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e o autódromo de Interlagos.
Em algumas das ligações da reportagem para a empresa nos últimos dias, funcionários disseram que o delegado não tem mais ido até lá.
Mezher é bem relacionado. Em fevereiro, ele foi à festa do primeiro aniversário de Luca, filho de Kaká, camisa 10 da seleção brasileira.
Nas fotos da festa publicadas por uma revista de celebridades, o delegado é abraçado por Ronaldo Fenômeno e Kaká, junto com o piloto Felipe Massa, da F-1.
Folha de São Paulo, 03 de junho de 2010
Cotidiano
Grupo acusado de vários crimes ainda é alvo de Promotoria; três foram presos ontem
ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO
O Ministério Público Estadual e a Corregedoria da Polícia Militar investigam a existência de um grupo criminoso chamado de "eixo do mal" da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), espécie de tropa de elite da PM paulista.
Ontem, Renata Gomes de Oliveira Franco, o PM Deoclécio Onofre Souza e Lucio Flávio Moreira Santos -suspeitos de ligação com o grupo- foram presos temporariamente por 30 dias.
Eles são acusados pela Promotoria e Corregedoria da PM de matar o soldado da Rota Emerson Barbosa Santos, 32, marido de Renata.
O soldado foi encontrado morto em Louveira (71 km de SP), em setembro de 2006.
O PM Souza foi preso ontem dentro do 15º Batalhão, em Guarulhos (Grande SP). Ele trabalhou na Rota até 2006, era vizinho e amigo do PM assassinado.
O "eixo do mal" tem cerca de dez PMs, segundo a investigação, e é suspeito de praticar crimes como roubo de carga e homicídios.
Hoje, a maioria dos suspeitos está fora da Rota e trabalha no norte da Grande SP.
Pelo que descobriram a Promotoria e a Corregedoria, Santos era integrante do "eixo do mal" e brigou o grupo.
O corpo carbonizado do soldado foi encontrado numa área rural de Louveira. A investigação aponta que o soldado não foi morto em Louveira, mas, sim, dentro de sua casa, em Guarulhos.
OUTRAS INVESTIGAÇÕES
Após a morte do soldado Santos, alguns dos PMs suspeitos de integrar o "eixo do mal" da Rota foram transferidos para o 18º Batalhão da PM, na zona norte de SP.
Mais tarde, esses mesmos PMs foram investigados sob suspeita de participar do atentado a tiros que matou em janeiro de 2008 o coronel José Hermínio Rodrigues.
Uma das hipóteses para a morte de Rodrigues, comandante da PM na zona norte, é a de que ele combatia PMs do 18º Batalhão que formaram um grupo de extermínio.
A reportagem da Folha não conseguiu localizar os advogados de defesa do PM Onofre Souza, de Renata Franco e de Lúcio Santos.
Folha de São Paulo, 01/06/2010
PMs são suspeitos de mais 12 mortes.
Grupo de extermínio formado supostamente por pelo menos cinco policiais teria matado 23 pessoas ao todo
Além das mortes, as 17 tentativas de homicídio investigadas ocorreram nas áreas de atuação de cinco DPs da zona leste
ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO
Um grupo de extermínio formado supostamente por pelo menos cinco policiais militares do 21º Batalhão (zona leste de São Paulo) é suspeito de ser o responsável por mais 12 mortes e 17 tentativas de assassinato investigadas pela Polícia Civil.
A existência do grupo foi revelada pela Folha no dia 16 de maio. Até então, a suspeita era que ele tivesse matado 11 pessoas. Agora, as mortes investigadas já chegam a 23.
Desde 21 de maio, o PM Valdez Gonçalves dos Santos, 36, está preso sob suspeita de comandar o grupo.
Valdez foi preso por ordem do juiz Daniel Ovalle da Silva Souza, do 1º Tribunal do Júri, como principal suspeito de matar o camelô Roberto Marcel Ramiro dos Santos, 22.
Dezenove dias antes da morte de Santos a tiros, na Vila Invernada (zona leste), o PM Valdez ameaçou o camelô e sua mãe, Janete Rodrigues, de morte. O crime foi na madrugada do último dia 8.
OUTROS SUSPEITOS
Após a prisão de Valdez, outros dois PMs suspeitos de ajudá-lo tiveram parte de sua identificação descoberta pelo DHPP (departamento de homicídios), da Polícia Civil: Padovani e Audrey.
Os crimes investigados como cometidos pelo grupo de extermínio supostamente formado por PMs começaram em 28 de março de 2009 e duraram até a morte do camelô, no dia 8 de maio.
As 23 mortes e 17 tentativas de homicídio aconteceram nas áreas de atuação de cinco delegacias da zona leste da capital: Parque São Lucas, Vila Diva, Tatuapé, Vila Alpina e Vila Formosa.
CÚPULAS REUNIDAS
Na maior parte dos homicídios, as 23 vítimas foram baleadas por encapuzados que chegavam em motocicletas e em dupla.
Um Meriva preto, um Honda Fit prata e uma Tucson também são investigados nos atentados.
Os assassinatos em que PMs aparecem como suspeitos forçaram a cúpula das polícias Civil e Militar de São Paulo a planejarem uma força-tarefa para tentar solucionar os casos.
Entre hoje e amanhã, o novo corregedor da Polícia Militar, coronel Admir Gervásio Moreira, que assumiu o cargo no dia 21 de maio, o delegado-geral da Polícia Civil, Domingos de Paulo Neto, e o chefe do departamento de homicídios, Marco Antonio Desgualdo, se reunirão.
Desde o dia 14 de maio, a Folha tenta obter uma palavra oficial do Comando-Geral da Polícia Militar sobre o caso, mas não houve resposta.
A reportagem também não conseguiu contato com o policial Valdez nem com seus defensores.
"CASOS PONTUAIS"
Na sexta-feira, ao falar com a Folha sobre suas metas à frente da Corregedoria, o coronel Gervásio declarou que grupos de extermínio supostamente formados por PMs "são casos pontuais, conduta individual, e não conduta institucional".
Notícia da imprensa (O Globo, 28/05/2010).
A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta quinta-feira 133 pessoas e apreendeu 13 adolescentes em uma operação para combater a criminalidade em 52 cidades do interior paulista. A ação foi comandada pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-9), com sede em Piracicaba, a 164 quilômetros de São Paulo.
Das prisões, 31 foram feitas em flagrante delito, 50 por mandados de prisão criminal e 52 por mandados de prisão administrava. Outros 13 adolescentes foram apreendidos, 12 deles por meio de mandados e um, em flagrante. Os policiais civis ainda cumpriram 82 mandados de busca e apreensão de objetos, abordaram 1.238 pessoas e vistoriaram 612 veículos. Treze deles foram apreendidos por irregularidades. Também foram apreendidas 15 armas de fogo, 4,3 quilos de maconha, 2,8 quilos de cocaína, 269 gramas de crack; 1.753 CDs, 9.009 DVDs, e 199 objetos diversos.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a operação mobilizou 132 viaturas e 377 policiais civis das seis delegacias seccionais do Deinter-9 (Piracicaba, Americana, Limeira, Casa Branca, Rio Claro e São João da Boa Vista).
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