Polícia

Onda de violência espalha medo na região do Jaçanã, em SP

Notícia da imprensa (Folha Online, 12/05/2010).

Considerada pela polícia uma área infestada por pontos de tráfico de drogas, todos dominados pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), o Jaçanã, na zona norte de São Paulo, enfrenta uma onda de violência há 16 dias.

Os assassinatos dos últimos dias têm espalhado o medo entre os moradores, que adotaram a mais comum das regras a quem vive em locais marcados pela violência, principalmente aquela imposta por grupos organizados: a lei do silêncio.

A onda de violência começou em 27 de abril, quando um rapaz de 22 anos foi baleado três vezes em uma praça. A polícia investiga se o atentado foi cometido por três policiais militares da Força Tática (espécie de tropa de elite) do 5º Batalhão.

Pesquisa realizada pelo Datafolha em 2008 em 96 distritos apontou que o risco de violência no Jaçanã era o maior da cidade --34% disseram ter vivido no último ano algum episódio violento, mas apenas 26% se disseram muito inseguros nas ruas durante a noite.

Sobe para 6 o número de mortos em chacina na zona norte de São Paulo

Notícia da imprensa (O Estado de S. Paulo, 11/05/2010).

Subiu para seis o número de moradores de rua mortos em uma chacina ocorrida durante a madrugada desta terça-feira, 11, na região do Jaçanã, zona norte de São Paulo. A sexta vítima morreu nesta manhã no Hospital Padre Bento. Uma mulher, que também foi baleada, continua internada em estado grave no Hospital do Mandaqui. No mesmo horário, a cerca de um quilômetro do local, outro homem foi assassinado. Os crimes ocorrem um dia após seis pessoas serem mortas em São Bernardo do Campo.

As vítimas dormiam sob um viaduto na altura do km 86 da Rodovia Fernão Dias, na Rua Abílio Pedro Ramos, quando cinco homens chegaram em três motos e atiraram várias vezes, segundo testemunhas. Entre os seis mortos, uma mulher e cinco homens, apenas Manuel do Nascimento Batista Cerqueira Junior havia sido identificado até a madrugada desta terça-feira. Uma mulher, Mariana Henrique, sobreviveu e está internada em estado grave no Hospital do Mandaqui.

No mesmo horário, a cerca de um quilômetro do local do crime, na Rua Manoel Fernandes Silva, outro homem foi encontrado baleado e socorrido para o Hospital Padre Bento, mas não resistiu e morreu. A polícia não sabe se os crimes estão relacionados.

É a quinta chacina deste ano na região metropolitana de São Paulo, elevando a 25 o total de vítimas.

Vi meu filho ser morto pelos PMs

Notícia – Diário de São Paulo – 09\05\2010

  

Vi meu filho ser morto pelos PMs

 

Maria Aparecida Oliveira enterrou o filho no Dia das Mães. Quatro soldados foram presos pelo crime na Zona Sul

 tahiane.stochero@diariosp.com.br 

Neste domingo, no Dia das Mães, tudo o que a dona de casa Maria Aparecida Oliveira gostaria de ganhar era um abraço do filho, o entregador de pizza Alexandre Menezes, de 25 anos. Em vez disso, Maria Aparecida enterrou o jovem, que morreu na madrugada de sábado, após ser agredido por quatro soldados da Polícia Militar em Cidade Ademar, na Zona Sul da capital.

  

A PM informou que os acusados foram presos por homicídio culposo (sem intenção de matar) e excesso de força.

  

O crime ocorreu às 4h de sábado, quando os PMs perseguiram Alexandre, após se depararem com o jovem numa moto sem placa e na contramão. Pelo boletim de ocorrência, o entregador estava em alta velocidade, não parou ao ser abordado pelos PMs e seguiu até a casa dele, na Rua Guiomar Branco da Silva. Encurralado, pediu socorro. “‘Mãe, mãe. Me ajuda’, ele gritava”, diz Maria Aparecida.

  

Descalça e de camisola, a dona de casa foi até a rua, onde viu o filho levar socos, chutes e ser imobilizado pelo pescoço pelos PMs. “Os vizinhos disseram que ele era gente de bem. Eu pedi para soltarem, que era meu filho. Mas me ameaçaram.”

  

Segundo Maria Aparecida, o entregador foi arrastado e espancado. “Pediram para chamar a polícia, mas foi a PM que matou meu filho”, diz.

  

‘Arma foi forjada’

 

Os PMs levaram Alexandre para o Hospital Sabóia, no Jabaquara, também na Zona Sul, onde a morte foi constatada por traumatismo craniano, hemorragia interna e asfixia mecânica.

  

Na delegacia, os soldados da 3ª Companhia do 22º Batalhão da PM apresentaram um revólver calibre 38 com dois cartuchos deflagrados. Disseram que encontraram a arma com Alexandre, só no hospital. “Surraram tanto ele que caiu celular, documentos. Tiraram toda a roupa, mas só viram a arma depois? Claro que foi forjado”, acusa a mãe.

  

“Sempre sonhei que meu filho caçula, de 13 anos, fosse policial. Hoje, ele me disse: ‘Mãe, como vou ser PM, se foi um deles que matou o meu irmão?’”, conta Maria Aparecida. Segundo ela, o filho comprou a moto em fevereiro e colocaria a placa amanhã. A Corregedoria da PM investiga o caso.

  

Motoboy foi torturado em quartel

 

A morte do entregador de pizza agredido por PMs na Zona Sul da capital neste fim de semana tem precedentes na corporação. No início de abril, o motoboy Eduardo Luís Pinheiro dos Santos, de 30 anos, morreu após ser torturado por policias militares fardados dentro de um quartel da PM na Zona Norte da capital. O caso só foi descoberto porque outros três homens, que haviam sido detidos com a vítima, presenciaram as agressões. O corpo de Santos foi encontrado por PMs da mesma unidade que o agrediu na rua e ele foi registrado como desconhecido. A PM prendeu 11 praças e uma tenente pela morte e o governo do estado pagou indenização à família do motoboy.

  

No domingo, a mãe do entregador de pizza Alexandre Santos, de 25 anos, chorou ao relembrar a relação dos dois casos. “Não quero Justiça, nem prisões, nem pedidos de desculpas. Meu filho não vai voltar. Eu quero que meu filho seja o último a morrer agredido nas mãos de policiais”, desabafou Maria.

Seis pessoas morrem em chacina em São Bernardo

Notícia da imprensa (O Estado de S. Paulo, 10/05/2010).

Seis pessoas morreram e três ficaram feridas em uma chacina em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, na madrugada desta segunda-feira, 10. A polícia suspeita que o crime tenha sido motivado por uma disputa entre traficantes.

O crime ocorreu por volta de 1h, quando três homens encapuzados e armados com pistolas calibre 380 chegaram em um Monza preto e invadiram uma casa na Rua Cora Coralina, no Jardim Industrial, segundo a polícia. Das 11 pessoas que estavam no local, cinco homens e uma mulher morreram baleados, principalmente na cabeça e no peito, e três ficaram feridas. Um casal conseguiu se esconder no banheiro da casa e escapou ileso.

Entre as vítimas, estaria um traficante de prenome "Róbson", suspeito de ter assumido, nas últimas semanas, o controle do tráfico no Jardim Calux, após a morte do líder anterior. Segundo testemunhas, os homens na linha de sucessão do líder antigo reagiram e juraram "Róbson" de morte, que estaria escondido na casa onde ocorreu o crime.

Até a madrugada desta segunda-feira, nenhuma das vítimas havia sido identificada. O crime foi registrado no 1º DP de São Bernardo, onde o casal sobrevivente prestou depoimento. É a quarta chacina deste ano na região metropolitana de São Paulo, elevando a 20 o total de vítimas.

Após onda de violência, 25 são presos na Baixada Santista

Notícia de imprensa (Portal Terra, 07/05/2010).

De acordo com a Polícia Militar, desde o dia 28 de abril, 25 pessoas foram presas na Baixada Santista. O policiamento foi reforçado após uma onda de violência que deixou mais de 20 mortos.

Foram deslocados para Santos, São Vicente, Praia Grande e Guarujá mais de 1.277 policiais, em esquema de revezamento. Segundo os números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública, 2.842 pessoas foram abordadas.

A polícia capturou oito foragidos da Justiça, participou de sete ocorrências envolvendo tráfico de drogas e quatro de porte ilegal de armas. Foram apreendidas 11 armas, 134 cartuchos de diversos calibres, 569 pinos de cocaína, sete balanças de precisão e quatro veículos que apresentavam alguma irregularidade, além de celulares e documentos.

Devido à escalada da criminalidade, o governo dos Estados Unidos chegou a desaconselhar os turistas americanos a viajarem para a região. Segundo a PM, o reforço não teve relação com o alerta do Conselho Assessor de Segurança no Exterior (Osac), órgão do Departamento de Defesa americano, e sim com a "situação anormal" na Baixada Santista.