Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Bráulio Mantovani
Produção: Patrick Siaretta, Paulo Dantas, Bruno Barreto, Antoine de Clermont-Tonnerre
Música: Marcelo Zarvos
Fotografia: Antoine Heberlé
Direção de Arte: Cláudio Amaral Peixoto
Figurino: Bia Salgado
Edição: Letícia Giffoni
O filme, produzido no ano de 2008 pelo diretor Bruno Barreto, trata de um fato acontecido no Rio de Janeiro em junho do ano 2000, quando um jovem chamado Sandro surpreendeu um ônibus urbano e seus passageiros. O fato chocou por ter sido transmitido em tempo real para várias emissoras televisivas do mundo. O filme, ao invés de ter como eixo central o próprio assalto a mão armada ao ônibus, tem, na verdade, a violência urbana que faz reféns jovens brasileiros sem grandes perspectivas. Neste filme, Sandro teve sua infância interrompida ao perder sua mãe de forma bruta e violenta. Depois disso, ele passa a viver com um bando de garotos nas redondezas da Igreja da Candelária, lugar onde mais uma vez ele presenciou cenas violentas quando ocorreu a chacina da Candelária. Podemos dizer que, principalmente depois da morte de sua mãe, Sandro tem sua vida modificada. Ele passa por uma série de relações conflituais, muitas delas marcadas pela violência. A violência, que acaba sendo tema principal do filme, está presente em todas as esferas da sociedade. Ela se mostra presente nas classes menos abastadas, como é o caso de Sandro, nas instituições sociais, como no caso das polícias e das cadeias e também nos poderes paralelos que surgiram no Rio de Janeiro, como o caso do Comando Vermelho.
O filme explora a violência presente em todos essas esferas, mostrando que ela está onipresente na sociedade. Há uma relação em cadeia que produz e gera a violência. A polícia gera violência. O poder paralelo gera violência. Mas também podemos notar que a partir da violência a própria comunidade procura alternativas sociais para dela escapar ou para a partir dela se produzir algo de proveitoso, como é o caso da personagem Walquíria, a "tia" que percebe a situação dos meninos da Candelária e constrói uma ONG a fim de ajudá-los.
Mas toda a história de vida de Sandro narrada no filme leva o espectador a crer que Sandro tomou uma medida drástica - o sequestro do ônibus - devido à falta de possibilidades e perspectivas.
Mariana Saraiva Sabbatini - 13/01/2009