Certificados e resumo: América Latina na mira – Crime Organizado e Governamentalidades

O Observatório de Segurança Pública compartilha um resumo com os principais tópicos do evento “América Latina na mira: Crime Organizado e Governamentalidades”, além do link para os certificados do evento.

O link é uma pasta do drive, contendo as informações das pessoas que se inscreveram. Para acessar, basta clicar, baixar e salvar o seu certificado. Para mais informações, é necessário conversar com algum integrante do OSP.

Certificados participação:


https://drive.google.com/drive/folders/1xVQbqK40NvfbGYiuXu0IXYKLQ0vSCKYB

Resumo do evento

O evento América Latina na mira: Crime Organizado e Governamentalidade buscou trabalhar um panorama geral dos principais países que compõem a América Latina, dando destaque para os mercados ilegais e suas formas de governamentalidade.  A intenção foi discutir as diferentes manifestações do crime organizado na região, colocando-a no centro das dinâmicas internacionais, por meio de uma reflexão sobre a intervenção imperialista dos EUA na Venezuela sob o pretexto de combate aos cartéis.  

A América Latina destaca-se como uma região estratégica no cenário global devido às dinâmicas de segurança pública, crime organizado transnacional e governamentalidades exercidas por grupos não estatais, que regulam territórios e populações. O evento sistematiza o fenômeno em seis critérios: países, logística, consumo, organizações criminosas, governança criminal e estratégias estatais de combate, ilustrando os impactos sociais e geopolíticos.

Países Produtores

A especialização geográfica marca a produção ilícita: Colômbia, Peru e Bolívia concentram o cultivo de coca na região andina e amazônica, responsáveis pela maior parte da cocaína mundial, enquanto Paraguai e México lideram a cannabis. Países como Brasil atuam como hubs de trânsito, com fronteiras porosas facilitando fluxos: a Rota Caipira (Centro-Oeste/Sul, via Paraguai e Bolívia) abastece mercados internos do Sul/Sudeste, e a Rota Solimões (Norte, com Peru, Colômbia e Venezuela) direciona para portos exportadores rumo à África, Europa e Ásia, elevando o valor de 1 kg de droga para acima de US$ 10 mil. Venezuela, Equador e Peru exportam pelo Pacífico para Ásia, América do Norte e Caribe, sustentados por infraestruturas logísticas.

Logísticas e modais de transporte

As rotas empregam modais terrestres (caminhões, mulas), aéreos (aeronaves leves) e navais (lanchas, contêineres em navios mercantes), adaptados a evasão estatal via corrupção de agentes públicos e privados. No Brasil, portos atlânticos são cruciais para exportações globais, com o Alto Solimões como corredor fluvial dominado por facções. Essa resiliência logística, impulsionada por altos lucros, integra produção, trânsito e consumo em cadeias transnacionais.

Mercados Consumidores

EUA lideram o consumo global de cocaína, seguidos por Europa Ocidental, Austrália e Nova Zelândia, com epidemias de opioides no Norte Global contrastando com o crack no Brasil, ausente em outros mercados latinos. Preferências culturais moldam demandas: derivados baratos no Brasil versus cocaína pura na Europa, onde apreensões crescem anualmente. Esses padrões impulsionam fluxos regionais e elevam violência em rotas de suprimento

Natureza das Organizações Criminosas

Grupos variam por contexto: facções prisionais como PCC e CV no Brasil, cartéis no México (Sinaloa, Jalisco Nueva Generação) e Colômbia; clãs familiares no Paraguai, Peru, Equador, Venezuela, Bolívia e México; dissidentes militares em Colômbia, México, Paraguai e Peru; paramilitares anticrime em Honduras, Nicarágua e Colômbia. No Brasil, PCC adota modelo empresarial com parcerias transnacionais (ex.: cartéis mexicanos), enquanto CV prioriza controle territorial armado. Milícias híbridas no Brasil e Colômbia combinam extorsão e “segurança”. Essas redes formam alianças estratégicas para logística e mercados.

Governança e Governamentalidade Criminal

Atores ilícitos exercem regulação social, ordem e punição em territórios sob tutela estatal fraca, criando governanças singulares: PCC em São Paulo usa gestão burocrática e pacificada; CV no Rio adota ethos guerreiro com domínio armado. Essas estruturas administram populações, mercados e economias paralelas, influenciando políticas locais e exacerbando violências. Na América Latina, variam por cultura, hierarquia e interesses econômicos.

Estratégias de Combate ao Crime

Respostas estatais são heterogêneas: Colômbia mobiliza exército em “guerra às drogas”, mas Petro prioriza “paz total”, erradicação voluntária de coca (69 mil ha até 2033), “oxigênio” a camponeses e “asfixia” a traficantes via inteligência. México, sob López Obrador, foca na captura de líderes e sufocamento econômico, com autodefesa ambíguas. Brasil recorre a polícias militares em repressão letal, mas avança em legalismo: Operação Carbono Oculto (2025) desmantelou lavagem de R$ 52 bi em combustíveis via fintechs e fundos. Cooperação internacional e “follow the money” emergem como paradigmas menos violentos.

Consequências Geopolíticas: Caso Venezuela

O sequestro de Maduro e Cilia Flores por forças EUA em Caracas (janeiro 2026), sob acusações de narcoterrorismo e tráfico, exemplifica instrumentalização do crime por potências estrangeiras, comprometendo a soberania e intensificando a instabilidade. Levados a Nova York, o casal enfrenta tribunal; Delcy Rodríguez assume interinamente. Uma destituição chavista criaria vácuo, beneficiando governanças criminosas em fronteiras porosas. Isso ilustra “governar através do crime” como ferramenta externa, agravando conflitos locais em vez de mitigá-los. O crime organizado na América Latina gera lucros imensos, poder paralelo e governamentalidades que moldam segurança e sociedades, demandando análises integradas para saídas conjuntas. Reformas como inteligência financeira e cooperação regional podem mitigar dinâmicas, priorizando povos sobre violências estatais ou externas.

Palestrantes e organização:

Maísa Faria Pereira

Júlia Bento

Vinicius Pereira de Figueiredo

Eduardo Armando Medina Dyna

Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) com a monografia “Organizações Internacionais e suas ações contra o Crime Organizado Transnacional: Um estudo de caso sobre a ascensão e presença do PCC.” Graduando em Ciências Sociais pela mesma instituição e pós-graduando em Políticas Públicas e Projetos Sociais pelo Centro Universitário Senac. Atualmente desenvolvendo iniciação científica como bolsista PIBIC, com o tema “A criminalidade como aspecto da segurança privada no estado de São Paulo: A abordagem da mídia sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC).”

Mestrando do Programa de pós graduação em ciências sociais (stricto sensu) na Universidade Estadual Paulista (UNESP) - campus de Marília, na linha 1: Pensamento Social, Educação e Políticas Públicas (2021-2023). Foi bolsista FAPESP, produzido uma pesquisa sobre as disputas de poder entre o PCC e a PM na chacina de 2015 em Osasco (2020).