Como o cinema de Pedro Almodóvar revolucionou a discussão de gênero dentro e fora da sétima arte?

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Filme Má Educação – Pedro Almodóvar (2004)

Por Juliana Morgani

Quando pensamos nos filmes de Pedro Almodóvar, qual a primeira coisa que vem em nossas mentes? As paletas de cores quentes? O melodrama? O estereótipo espanhol? Sim, todas essas características envolvem o estilo do diretor, mas a que mais se destaca é a questão de gênero. Almodóvar rompe com tabus que ainda hoje perpetuam em nossa sociedade. Suas personagens são mulheres fortes e, mesmo quando vítimas de abusos, mostram-se preparadas para enfrentar qualquer coisa. Não somente as mulheres, mas seus personagens trans, também fortes, que representam a luta por direitos LGBT, nem que estes direitos demandem lutar contra a igreja católica, da qual o diretor faz grandes críticas.

As questões de gênero relacionadas ao feminino começaram a ser pensadas por volta dos anos 50, a partir de pensadores como Michel Foucault e Simone de Beauvoir. Mas os estudos sobre as questões de gênero relacionadas à identidade LGBT só alcançaram seu auge nos anos 80. Dez anos antes, Almodóvar já iniciava sua revolução social por meio de curtas-metragens considerados polêmicos para o período. Ele retratava o submundo do sexo, das drogas, do preconceito, do machismo, através de personagens caricatos e fortes que buscavam sua identidade em um país marcado pelo catolicismo e a moralidade.

Essa temática destacou-se em seu filme, Má Educação, gravado no ano de 2004, em que apresenta de forma mais crua e dramática, tabus e críticas pouco discutidas na sociedade em que vivemos. No longa, aborda a pedofilia dentro da instituição católica e as conseqüências que estes atos podem acarretar na vida de uma criança.

Almodóvar não só revolucionou a temática do gênero, como também trouxe questões sociais importantíssimas para serem discutidas fora do contexto cinematográfico. Este assunto deve ser abordado por toda sociedade e principalmente em nosso sistema educacional, dentro das salas de aulas, de forma que seja possível a compreensão e a desnaturalização das relações de violência para com os gêneros considerados inferiores, fracos ou “anormais”. 

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