Categoria Pesquisadores

Apropriação capitalista do trabalho doméstico e reprodutivo não remunerado da dona de casa sob a perspectiva de gênero.

Por Brenda Dias: Sob a perspectiva de gênero, este artigo traz em pauta os desdobramentos da ‘’ naturalização’’ dos trabalhos doméstico e reprodutivo da dona-de-casa e a não-remuneração do mesmo no sistema econômico capitalista. A abordagem adotada tem como pressuposto o rompimento entre o trabalho reprodutivo e o modo de produção capitalista, visto que, o que move as fábricas e o processo de produção é o trabalho invisibilizado de milhões de mulheres, conforme aponta Silvia Federici (2019). Conclui-se que, a divisão instituída entre os sexos(sic) parte de uma socialização do biológico e de uma biologização do social (Pierre Bourdieu, 2012), significa dizer que a divisão sexual do trabalho situa-se enquanto produto de uma situação histórico-social e não tem, portanto, nenhuma relação a ‘’ natureza’’ biológica feminina e/ou masculina. Portanto, o sexo biológico é utilizado arbitrariamente como justificativa de manutenção do status quo, posto que às mulheres permanecem situadas enquanto seres apolíticos e restritas à cozinha e ao quarto, e os homens transitam livremente por entre a assembleia e o mercado. Vale ressaltar, não conduzo a discussão a termos econômicos somente, mas também sociológicos, haja vista as potencialidades que podemos desbravar de uma divisão sexual do trabalho ao tratarmos da esfera doméstica e seus desdobramentos. O sociólogo Pierre Bourdieu (2012) nos auxiliará ao buscarmos compreender a raiz dos papéis sociais atribuídos arbitrariamente aos sujeitos, entendendo que o princípio de divisão fundamental entre os sexos (sic) é a motriz da ordem social à qual estamos inseridos. Por conseguinte, a filósofa Silvia Federici (2019) conduzirá nosso percurso ao destrincharmos as externalizações do trabalho não-remunerado da dona de casa e a função reprodutiva que esta desenvolve para o sistema capitalista, posto que a autora afirma possuir um valor para o capital.

Para compreender os atentados na França: o terrorismo como alerta para a securitização da identidade muçulmana.

Após um período de relativa baixa que separa os atentados ocorridos na França em meados de 2015, - conforme relatórios analisados da Polícia da União Europeia – e os de outubro de 2020, o professor de história Samuel Paty foi decapitado por exibir charges do profeta do islã em uma sala onde havia uma aluna muçulmana.

The violence dynamics in public security: military interventions and police-related deaths in Brazil

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Este artigo discute o uso mortal da violência como uma agenda de segurança pública, com foco na letalidade policial e nas intervenções militares. Por meio de uma revisão da literatura para a compreensão de conceitos - como “guerra”, por exemplo - utilizados nas agendas das políticas de segurança pública, o estudo busca enquadrar a noção de violência política, principalmente no que se refere às políticas de combate à violência no Brasil.

Políticas anti-trans no Brasil: analisando violências contra pessoas trans

Não é raro notar que corpos dissidentes que fogem à normalidade estabelecida pela sociedade cis-hétero-branca são alvos fáceis de serem atingidos pelas suas políticas- econômicas de extermínios, pelo menos é isso que sugere uma análise crítica dos dados mais recentes (2020) que foram laçados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuis (ANTRA), isto é, houve um aumento de 90% nos primeiros meses do ano de casos de assassinatos de corpos trans e um aumento de 13% no número de casos no 2º/2020 quando comparado ao mesmo período do ano interior (2019). Mas o que isso significa?

Os dilemas das mulheres que estão em situação de violência em tempos de pandemia no Brasil

Por Gabriela de Cássia Savério Rocha: A violência contra a mulher é um fenômeno que está presente todos os dias nas vidas das mulheres brasileiras, e em tempos de pandemia essa violência se revelou bastante pungente e problemática. Ainda se entende que a expressão “violência contra a mulher” é bastante abrangente e, na maioria das vezes, empregadas como sinônimos de violência de gênero, intrafamiliar, conjugal e doméstica.

Resenha: Aproximações da série Irmandade com o Primeiro Comando da Capital

A série “Irmandade” (2019) é produzida pela empresa de filmes e séries via streaming “Netflix”, pela direção de Pedro Morelli o responsável de produzir essa série. O conteúdo dessa produção é um drama que conta a narrativa de uma organização dos presos dentro do sistema penitenciário paulista. Segundo o diretor, a ‘facção’ “Irmandade” não teve um baseamento direto de uma facção da realidade, ou seja, a invenção da irmandade não tinha um alinhamento com qualquer organização dos presos que existe na vida real. Entretanto, o diretor afirma que para criar a organização, teve um estudo detalhado sobre a ética, normas, condutas e linguagens que muitos comandos utilizam nas suas próprias relações no Brasil. O intuito dessa resenha é justamente analisar, apontamentos intrínsecos entre a facção Irmandade e o Primeiro Comando da Capital (PCC). 

Luis Fernando de Castro Vascon

Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual Paulista - UNESP. Membro do GESP - Grupo de Estudos em Segurança Pública orientado pelo Professor Doutor Luis Antônio Francisco de Souza. Atua em conjunto ao Núcleo de Ensino da UNESP de Marília, na elaboração de materiais didáticos, pesquisas e promoção na utilização de tecnologias da informação e comunicação no ensino de sociologia. (Texto informado pelo autor)

Luís Antônio Francisco de Souza

Cursou Graduação (1987) e Licenciatura (1994) em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo. Cursou mestrado (1992) e Doutorado (1998) em Sociologia na Universidade de São Paulo, com Estágio Sanduíche na Universidade de Toronto, Canadá (1995-1996), sob supervisão de Robert W. Shirley. Pesquisador na área de História da Polícia Civil, Processo Criminal, Violência Policial, Controle Externo sobre a Polícia, Políticas de Segurança Pública, Políticas Locais de Segurança, Violência e Direitos Humanos. É Livre-Docente na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Unesp, campus de Marília, atuando nos cursos de Graduação em Ciências Sociais e no curso de Pós-Graduação em Ciências Sociais, no nível de mestrado e de doutorado, tendo orientado várias dissertações de mestrado, teses de doutorado e supervisões de pós-doutorado. Disciplinas lecionadas na Graduação: Teoria Sociológica II e Sociologia do Conhecimento. Disciplina lecionada na Pós-Graduação: Reflexões sobre Crime, Violência e Punição. É coordenador científico do Observatório de Segurança Pública (OSP), do Observatório da Condição Juvenil (OCJovem), do Grupo de Estudos em Segurança Pública (GESP) e do Grupo de Estudos da Condição Juvenil (Gejuve). Site dos projetos e demais atividades dos grupos: www.observatoriodeseguranca.org. É líder do Grupo de Pesquisa do CNPq: Observatório de Segurança Pública. Foi chefe do Departamento de Sociologia e Antropologia (2009-2012). Foi pesquisador visitante do IPEA ? Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, dentro do Programa de Pesquisa para o Desenvolvimento Nacional - PNPD, conjuntamente com a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça - SAL: Programa Pensando o Direito (2015). Coordenou pesquisas sobre vitimização da mulher no sistema de justiça criminal, edital conjunto CNPq e Secretaria de Política para Mulheres (2011-2015). Coordenou pesquisa sobre atos infracionais na Varas da Infância e Juventude em São Paulo (2011-2013). Todas as pesquisas contaram com financiamento do CNPq, da Fapesp e da Unesp. Foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Unesp, campus de Marília (2014-2017).